Buracos no diafragma

Chegaram à redacção algumas dúvidas relacionadas com esta notícia aqui. Então em Coimbra «fizeram uma descoberta inédita» e baptizaram uma hérnia? No diafragma? Primeiro, vamos lá ver o que é uma hérnia diafragmática. Uma hérnia  é a protusão de intestino (ou outro conteúdo visceral) por um buraco ou fraqueza anatómica. Pode ser pelo umbigo (verContinue a ler “Buracos no diafragma”

Rebenta a bolha

Há dias, introduzi aqui dois termos médicos – pneumotórax e derrame pleural – que deixei por explicar convenientemente. Não gosto de deixar pontas soltas. Para mais, conhecimento nunca fez mal a ninguém. Então cá vai uma brevíssima explicação. O derrame pleural corresponde à existência de líquido na pleura, que é um revestimento que cobre oContinue a ler “Rebenta a bolha”

Ai as pedras na vesícula

Foi em 1987 que Philippe Mouret apresentou a primeira colecistectomia laparoscópica video-assistida. Até lá, outros já tinham feito procedimentos de ‘espreitoscopia’ (como dizemos na brincadeira), isto é, faziam algumas intervenções no tórax e no abdómen espreitando através de um tubo de lentes e luz (na verdade, eram já laparoscópios muito semelhantes ao de hoje). MasContinue a ler “Ai as pedras na vesícula”

Pastilha elástica na mala da maternidade

Saiu um artigo estatisticamente complexo, mas com uma conclusão simples e bastante útil. Mascar pastilha elástica após uma cirurgia abdominal diminui o tempo de recuperação do trânsito intestinal. Ou seja, o acto de mascar estimula os reflexos nervosos autonónomos e a produção de hormonas e sucos gastrointestinais que põe o intestino a funcionar mais rapidamente, evitandoContinue a ler “Pastilha elástica na mala da maternidade”

Orelhas em abano

Indignam-me perguntas indignadas do género «mas também fazem cirurgia estética em crianças?». Quem me vai lendo já percebeu que a maior parte do trabalho de um cirurgião pediátrico é tratar malformações congénitas ou adquiridas. Muitas delas deformam esteticamente a crianças, pelo que sim fazemos cirurgia estética. E, contextualizando a pergunta indignada anterior, não é caprichoContinue a ler “Orelhas em abano”

A cabeça do rádio sai do sítio

De cada vez que visto as braçadeiras ao JM, ou puxo pelo antebraço para ‘arrancá-lo’ da piscina, lembro-me de uma patologia que era muito frequente na urgência do Hospital de São João. Apesar de não precisar de solução cirúrgica, eram os cirurgiões que diagosticavam e tratavam, uma vez que eram admitidos na sala de traumatologia/pequenaContinue a ler “A cabeça do rádio sai do sítio”

As meninas também torcem

Hoje, em torno de um testículo torcido, reclamava que »as bolinhas dos meninos só davam trabalho». De facto aqui já se falou de testículos que não descem, testículos que ficam vermelhos, testículos que têm líquido à volta e haverá mais. Mas os ovários (as gónadas, homólogas, do sexo feminino) também dão trabalho e também torcem. AContinue a ler “As meninas também torcem”

Atrésia duodenal

Hoje fomos notícia na TVI. A Gracinda foi a bebé mais pequena do mundo a ser operada por laparoscopia para correcção de uma atrésia duodenal. Como explica o Prof. Jorge Correia-Pinto (Director do nosso serviço), o duodeno faz a passagem do estômago para o intestino. Na atrésia duodenal, esta passagem está interrompida, devido a uma anomaliaContinue a ler “Atrésia duodenal”

Mãos suadas (continuação)

Lembram-se de vos ter falado de uma menina que sofria de hiperhidrose e a quem fizemos uma simpaticectomia toracoscópica? Encomendei-lhe uma redacção sobre o que teria mudado na sua vida depois de ter sido operada. Hoje, ela veio à consulta e trazia o T.P.C. feito. Não transcrevo todo o texto, porque algumas partes fizeram-me corar.Continue a ler “Mãos suadas (continuação)”

Manchinhas de princesa

A Medicina tem isto de bonito. Como é que a simples observação dos efeitos laterais de um fármaco usado há dezenas de anos faz pequenas revoluções ainda nos dias de hoje.? Foi apenas há 5 anos, em Junho de 2008, que um grupo de médicos de Bordéus publicou uma carta ao editor do New EnglandContinue a ler “Manchinhas de princesa”