Tenho estado a escrever um artigo sobre hérnias epigástricas. Eis um bom motivo para um post técnico-científico. Já falei aqui de algumas hérnias da parede abdominal que aparecem na crianças (as hérnias umbilicais e inguinais). Existe um terceiro tipo de hérnias que aparecem na parede abdominal, ao longo da chamada linha alba e acima do umbigo, entre este e o apêndice xifóide (o osso que limita inferiormente o esterno). Esta linha alba é composta apenas por aponevrose (isto é, sem músculo interposto). Quando, entre as suas fibras, existe um buraquinho maior, este permite a passagem de gordura de dentro do abdómen. É muito raro, este tipo de hérnia dar dor, mas ela sente-se como uma tumefacção dura (‘um talinho’) no local da hérnia.
Como destralhares o quarto dos teus filhos?
A convidada especialista desta semana é a Rita Domingues. A Rita é bióloga marinha e investigadora pós-doutorada na Universidade do Algarve. É mãe de dois rapazes o G. (8 anos) e o B. (7 anos). É a Busy Woman por trás de um dos melhores blogues portugueses, o The Buzy Woman and The Stripy Cat, onde escreve sobre o seu modo de vida minimalista, a forma como menos nos pode trazer muito mais às nossas vidas e dá sempre dicas muito úteis sobre este e outros temas. Achei que a Rita seria a pessoa ideal para nos ajudar a destralhar os quartos dos nossos filhos (e, com eles, as nossas próprias vidas), tema que vem mesmo a calhar nesta altura do ano. O texto está perfeito e o método resulta. Como a Rita me enviou o texto no final da semana passada, cá em casa, dedicámos a tarde de Domingo a destralhar o quarto dos miúdos. Enchemos dois grandes sacos de brinquedos (um, os irrecuperáveis, para o lixo; e outro, os quase novos, para terem destino melhor no DIa de Reis). Só assim conseguimos espaço para a quantidade de presentes que receberam no Natal.
Como destralhares o quarto dos teus filhos?
Rita Domingues
A semana entre o Natal e a Passagem de Ano é, para muitas pessoas, um período de reflexão. Por esta altura olhamos para trás, para o que fizemos, o que aprendemos, o que errámos, e olhamos para a frente, entusiasmados com o Novo Ano que aí vem, fazendo imensos planos e elaborando resoluções que vão tornar a nossa vida fantástica. Estas resoluções, no entanto, raramente são cumpridas, basicamente porque o nosso córtex pré-frontal não está preparado para lidar com a enorme força de vontade que é necessária para levar as resoluções a bom porto.
Devemos, sim, fazer uma coisa de cada vez – e começar o Ano Novo com um destralhamento! Destralhar não só a casa, mas também a nossa vida, dá-nos mais espaço físico, mental e emocional para lidar com coisas mais complicadas e exigentes – como as resoluções de Ano Novo ou outros objectivos pessoais e profissionais que queiramos atingir.
Assim, o que proponho em primeiro lugar é fazeres um destralhamento à tua casa. Não precisas de fazer tudo num só dia. Se te sentires assoberbado, podes destralhar e arrumar apenas uma gaveta por dia. O importante é teres em mente que o espaço físico à nossa volta condiciona o nosso estado de espírito e, portanto, o destralhamento da casa é um processo que deve ser prioritário e repetido com a frequência necessária.
Para começar, pega em dois sacos, percorre a tua casa, olha em redor de forma crítica e desapegada, e decide rapidamente se precisas de todos esses bibelots, recordações, molduras, etc. Coloca num dos sacos tudo o que já não estiver em condições para ser usado, ou seja, tudo o que for lixo, e no outro saco as coisas que podem ser vendidas ou dadas, como livros que já não vais mais ler. Os objectos que decidires manter devem ter um lugar específico para serem guardados. Se alguma coisa não tem lugar é porque não é precisa.
Pode ser difícil desapegares-te emocionalmente das coisas, mas lembra-te que não são as coisas que temos que definem quem somos. As nossas recordações estão em nós e não nas coisas. Tem isto presente quando estiveres a pensar no destino a dar a uma prenda de Natal de que não gostas ou não te faz falta; não a mantenhas porque não queres ofender o presenteador.
Depois de destralhares a tua casa e de teres envolvido os teus filhos neste processo, quanto mais não seja como espectadores, ocupa-te do quarto deles. Se os teus filhos tiverem idade suficiente, dá-lhes os dois sacos ou caixas. Explica-lhes que eles não precisam de tantos brinquedos e poderão dar alguns com que já não brincam a outros meninos que não têm brinquedos. Tudo o que estiver partido, estragado e não dê para aproveitar, é para ir fora. Pode ser difícil para os miúdos escolherem brinquedos para dar; se assim for, faz o destralhamento por eles. O mais provável é eles não se lembrarem de todos os brinquedos que têm e, por isso, não sentirão a sua falta.
Depois de destralhares a casa e de respirares de alívio por teres agora um espaço mais liberto e arejado (figurativa e literalmente), destralha a tua vida. Elimina compromissos que não te interessam para teres mais tempo para coisas mais importantes. Aprende a dizer não. Define as tuas prioridades. Elimina tudo o que não se enquadra na tua visão de vida. Torna-te implacável e rejeita tudo o que te suga o tempo. Preocupa-te em primeiro lugar contigo, arranja tempo para ti, para as tuas coisas, e não dês desculpas para não viveres a vida que queres e que está ao teu alcance. Ao fazeres isto, tornar-te-ás uma pessoa mais plena e serena – e só assim poderás tornar mais felizes os outros à tua volta…
Evitar acidentes na época natalícia
Não sei se repararam, mas o Guia de Saúde da última edição da Nova Gente teve a colaboração deste cirurgião pediátrico que vos escreve. O tema foi perigos para as crianças da época natalícia e como evitá-los. A peça jornalística resultou de uma entrevista telefónica, a qual me fez despertar para a necessidade de escrever o texto que se segue.
O Natal é uma época festiva que para muitas famílias acaba em tragédia. No reboliço das festividades, as crianças deparam-se perante objectos novos (alguns perigosos), ambientes estranhos (nem sempre protegidos), pais distraídos pelo lufa-lufa dos preparativos. Se tiverem atentos a estas 5 ameaças, evitarão males maiores que vos poderiam arruinar o Natal.
1. Traumatismos e Ferimentos. Em visita a casas de familiares não tão habituados a ter crianças a circular, os perigos espreitam a cada esquina de mesa mal protegida, a cada escada ou degrau demasiado acessível, a cada bibelot de louça a pedir para cair na cabeça dos petizes, a cada bola ou enfeite natalício que se estilhaça em mil pedaços. À chegada, os olhares treinados de pais devem ser implacáveis. Neutralizar todas as potenciais ameaças. A curiosidade das crianças por ambientes novos, vai fazer com que percorram tudo, experimentem tudo, subam a tudo e se arrisquem a quedas, traumatismos, feridas e abrasões. Pelo sim pelo não, é sempre bom recordar: «cabeçadas», «cortes e esfoladelas».
2. Engasgamento. O pequenos percorrem tudo (chão, mesas, bancos, cadeiras) à procura de novas experiências. Quando encontram pequenos frutos secos (como avelãs, amendoins, pinhões, etc), levam-os à boca e podem aspirá-los para os pulmões. O mesmo acontece com brinquedos com peças muito pequenas, muitas vezes oferecidos aos irmãos ou primos mais velhos. Ler também: «o menino ‘entalou-se’: o que fazer?»
3. Queimaduras. O Natal é rico em queimaduras. São a velas decorativas, fonte de curiosidade das crianças (mesmo das mais velhas). É o chá, a sopa ou outras refeições quentes, na ‘beirinha’ da mesa. São as luzinhas de Natal, as lareiras, os enfeites inflamáveis que despoletam pequenos incêndios domésitcos. São as tomadas eléctricas desprotegidas, nas casas dos avós e tios. Muita atenção a todos estes pormenores… e leiam este texto sobre como tratar queimaduras.
4. Intoxicações. Para além de todas as ameaças faladas até agora, as casas ‘desconhecidas’ por vezes têm medicamentos, produtos de limpeza, cáusticos, entre outros, esquecidos ao alcance das crianças. Não custa nada guardar o número do centro de intoxicações gravado no telemóvel: 808250143. As lareiras mal arejadas são ainda hoje responsáveis por muitas intoxicações por monóxido de carbono, que pode levar à morte famílias inteiras.
5. Acidentes de viação. Não deveria ser preciso insistir neste ponto, mas o Natal é de facto um momento em que há mais acidentes de viação. Na estrada, muita atenção a si (nada de beber, nada de correrias, parar e descansar sempre que o João Pestana chamar) e aos outros (um olho na estrada e outro nos carros mais à frente).
Resumidamente, o Natal é uma festa linda, de partilha e de convívio familiar. Na confusão habitual, a nossa tendência (de pais, tios avós) é para nos distrairmos, não estarmos tanto atentos ao que os pequenos estão a ‘preparar’, sermos negligente. Estejamos alerta, porque os acidentes evitam-se.
Estrias na gravidez? Não, obrigada!
As 3 convidadas especialistas deste mês são/serão todas Mães e todas bloguers. Depois do texto comovente da Sofia Ribeiro Fernandes, a Sofia Serrano escreve-nos sobre um tema prático e que preocupa tantas grávidas e recém-mamãs. A Sofia Serrano é médica ginecologista e obstetra. Trabalha no Hospital de Faro. Tem-se dedicado à laparoscopia, à infertilidade e ao diagnóstico pré-natal, tendo obtido a Certificação pela Fetal Medicine Foundation e a pós-graduação em Medicina Interna, Gravidez e Saúde Reprodutiva. A Sofia é Mãe da M (5 anos) e do P (1 ano). Escreve no Café Canela & Chocolate.
Estrias na gravidez? Não, obrigada!
Sofia Serrano
Apesar de a gravidez ser o denominado “estado de graça” há coisas associadas a esta fase da vida que qualquer mulher dispensava – e as estrias fazem parte dessa lista. Mas afinal o que são estrias e porque aparecem?
As estrias são lesões cutâneas lineares, atróficas, bem definidas e secundárias a alterações do tecido conjuntivo, que estão associadas a situações fisiológicas, como a gravidez. Não está completamente esclarecida a sua origem, mas admite-se que o estiramento mecânico da pele, junto com os factores genéticos e com as alterações hormonais da gravidez tenham um papel significativo. Também há outros factores que contribuem para o aparecimento de estrias, nomeadamente a idade da mãe, o tipo de pele da mãe, o ganho de peso na gravidez e o peso do recém-nascido.
Na realidade, as estrias surgem em cerca de 70% das grávidas, e aparecem mais frequentemente no abdómen, nas coxas e nas mamas. Aparecem principalmente a partir da 25ª semana de gestação, inicialmente com uma cor rosada, no pós-parto ficam mais esbranquiçadas e permanecem como cicatrizes prateadas. E ficam para toda a vida.
Apesar de os factores genéticos serem importantes, há algumas medidas que podemos tomar para evitar/minimizar o aparecimento de estrias durante a gravidez e puerpério (sim, porque depois do parto ainda há esse risco):
- beber muita água e ter uma alimentação saudável e equilibrada, para manter a pele hidratada, saudável e brilhante;
- controlar o aumento de peso ( em particular o aumento de peso muito acentuado e rápido associa-se mais ao aparecimento de estrias)
- aplicar regularmente cremes anti-estrias, iniciando a aplicação antes da barriga começar a crescer (logo no início da gravidez) para que a pele se mantenha com uma boa elasticidade, e manter a sua aplicação no pós-parto até voltar ao peso habitual. A aplicação deve ser de manhã, depois do banho e à noite;
- usar cinta ou faixa de gravidez, que ajuda a suportar o peso da barriga e diminui a distensão da pele, minimizando a probabilidade de aparecimento de estrias.
Em termos de cremes anti-estrias, há vários no mercado. Estes são alguns dos que sugiro às grávidas:
Sobre educar e fazer crescer uma criança com deficiência
A convidada especialista desta semana é repetente. É mãe, médica e bloguer. A Sofia Ribeiro Fernandes é Pediatra. Trabalha no Centro Hospitalar S. João, no Hospital CUF Porto e no Hospital Privado de Alfena. É mãe do Rodrigo (6 anos), um «príncipe sem relógio.» É assim que frequentemente a Sofia se refere aos meninos com deficiência no seu blogue ‘Crónicas de estetoscópio e biberão‘. Hoje comemora-se o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência e eu desafiei a Sofia a escrever sobre ‘o que gostavas que te tivessem dito sobre educar/fazer crescer uma criança com deficiência’. Quem já teve a felicidade de trabalhar com a Sofia (ou teve apenas o privilégio de a conhecer) sabe que o desafio seria a aceite e texto seria straight to the point, sem meias palavras. Não é por isto, menos comovente ler as frases que se seguem. Antes pelo contrário, trata-se de uma lição de vida para quem anda tão preocupado com a perfeição em todos os pormenores patéticos (grupo em que me incluo demasiadas vezes). Por favor, partilhem, pois talvez haja mais gente a precisar de ler isto do que vocês imaginam.
Sobre educar e fazer crescer uma criança com deficiência
Sofia Ribeiro Fernandes
O pedido: “O que gostava que me tivessem dito sobre educar e fazer crescer uma criança com deficiência”. O pensamento imediato: “Que me tivessem dito T-U-D-O. Que existisse um manual de construção-desconstrução escrito por um qualquer sábio.” Mas de facto, depois de pensar no que iria escrever, acho que o melhor seja mesmo explicar o que é a deficiência, porque só depois desse primeiro passo de aprendizagem é que as dicas se encaixam que nem peças de puzzle.
Segundo a OMS, deficiência é o impacto de uma incapacidade de um órgão, de uma função ou estrutura no desempenho de alguma actividade, condicionando desvantagem para o mesmo indivíduo. Definição pomposa, científica, escrita nos livros. Segundo eu própria, Mãe de primeira viagem de um menino que não tem tempo para aprender, porque o faz quando bem lhe apetece (sirvo esta última expressão acompanhada de um piscar de olho), a definição foi mudando ao longo dos 6 anos.
Num primeiro instante, a deficiência era tenebrosa, limitativa, assustadora. Passou vagarosamente a vergar e a moldar-se como a plasticina. Deixou de ser uma palavra incómoda. E, curiosamente, passou quase a ser vulgar, porque as incapacidades de muitos que se acham saudáveis traduzem sim verdadeiras lacunas da alma. E, o que podiam ou deviam ter dito sobre educar e fazer crescer uma criança com deficiência? Posso reformular a pergunta: o que N-Ã-O me deviam ter dito sobre educar e fazer crescer uma criança com deficiência?
N-Ã-O me deviam ter dito “vai ser igual à menina X de cabelo dourado” que vive numa cama de hospital e sorri de vez em quando. Deviam ter dito que passo a passo, um dia de cada vez, o caminho constrói-se, talvez com alguns tropeções, na maioria das vezes imprevisíveis.
N-Ã-O me deviam ter dito que não vai ser o menino que cresce no pensamento de cada Mãe ao mesmo tempo que cresce a barriga, porque mesmo que não ande, corra, faça contas de somar e caia no chão, tem o direito a ser feliz à sua maneira. Deviam ter dito que mesmo que não consiga sentar, andar, correr e fazer contas de somar, as mãos de quem está perto devem manter-se firmes.
N-Ã-O me deviam ter dito que é parecido com o pai ou com a mãe. Deviam ter dito um vamos saber porquê, sem que os dedos estupidamente e numa mesquinhez tão comum de espírito se apontem.
N-Ã-O me deviam ter dito que não vale a pena, obviamente que não me disseram nunca desta forma crua, marmórea e fria, mas este discurso pintalgava muitas vezes dissimulado por entre a ciência do ” tens de te habituar, já sabes que não vai ser médico”. Deviam ter dito que todos os instrumentos lhe devem ser facultados, todas as oportunidades, todos os desafios. ( E, também quem disse que queria que fosse médico?)
N-Ã-O me deviam ter dito que me refugiei no trabalho. Deviam sim permitir uma maior plasticidade horária para que se possam assistir às sessões vastas diárias de mil e uma terapias.
N-Ã-O me deviam tentar fazer ter pena de mim, de nós e dos outros meninos sem relógio. Deviam gargalhar com as piadas que eu própria digo. Deviam dizer para chamar à atenção e dar uma palmada de vez em quando.
Ao escrever tudo isto, penso em como não se ensina ninguém a moldar, educar e fazer crescer uma criança com deficiência… Quem se molda, educa e cresce é quem está por perto, quem dá as mãos e quem faz o caminho pelos trilhos sem nunca olhar para trás ou para o menino sem relógio do lado.
Educar uma criança com deficiência, é um acto de amor um bocadinho mais generoso que educar uma criança saudável. (Desculpem o pretensiosismo.) Mas, é também um acto mais colectivo, menos só, um acto de Mãe, Avós, Professores, amigos da escola todos misturados numa sopa de letras. É simplesmente isso, um acto de amor sem limite, sem comparação, sem tempo estabelecido. Se tiver de ser, será.
O que se deve dizer? Passo a passo, muitas vezes pequeninos, dia a dia, colher a colher, tentar tudo por tudo, chorar de vez em quando, chamar a atenção, castigar também, mas deixar voar ao sabor do vento e mais do que isso, gargalhar até fazer doer a barriga.
Porque é que os bebés bolçam tanto? E como podemos evitá-lo?
Vamos lá por partes. Quando o bebé bebe o leite, este passa da boca para o estômago, através de um tubo chamado esófago. Entre a parte final do esófago e o estômago temos um músculo (o chamado esfíncter esofágico inferior), que funciona como uma porta que impede que os alimentos chegados ao estômago voltem para trás. Claro está que a porta tem que abrir de vez em quando e fá-lo, quer quando engolimos os alimentos, quer quando não estamos a comer, pois existe uma onda de contracção de todo o esófago em direcção ao estômago mesmo quando não temos passagem de alimentos. Nestas alturas, o conteúdo gástrico (ácido) pode refluir para o esófago. Em indivíduos saudáveis, este ácido é rapidamente neutralizado pela saliva (alcalina), não causando dor, e é em pouco volume, não chegando a vir à boca nem originando vómito/regurgitação.
Porque é que os bebés bolçam tanto? De uma forma algo simplista, diria que não têm um esfíncter esofágico inferior suficientemente competente, pelo que o leite volta para trás, ou seja , vem à boca e o bebé bolça/regurgita. Os recém-nascidos tem períodos de relaxamento do esfíncter esofágico inferior mais longos e mais frequentes do que os adultos e as crianças mais velhas, o que permite o refluxo de uma maior quantidade de alimentos. Existem outros factores que podem agravar o refluxo, como são a distensão gástrica (caso dos bebés muito sôfregos e engolem muito ar), o aumento da pressão abdominal (por exemplo, bebés com muitos gases que ficam com a barriguinha distendida), o atraso no esvaziamento do estômago (muito frequente nas crianças com distúrbios neurológicos), entre outros.
Mas o ‘bolçar’ não é o único sinal de que pode haver refluxo no bebé. Existem outras situações/manifestações clínicas que podem ter subjacente um refluxo gastro-esofágico, nomeadamente broncospasmo de repetição (muitas vezes interpretadas como falsas asmas), tosse, recusa alimentar, atraso de crescimento e os ALTE (apparent life-threatening events). Só uma criança mais velha referirá claramente os sintomas típicos de um adulto, como dor esternal e ‘queimor’ (pirose). De facto, todos os indivíduos têm algum grau de refluxo gastro-esofágico. Como disse mais acima, mesmo em indivíduos saudáveis, existe sempre uma abertura do esfíncter sem a passagem de alimentos que pode permitir o refluxo do ácido do estômago para o esófago (e até para a boca). Por isto, só chamamos Doença do Refluxo Gastro-Esofágico (DRGE) quando a a quantidade ou tempo de contacto do ácido com o esófago é suficientemente grave para ser considerado um problema.
No caso concreto do recém-nascido, o esfíncter funcionará melhor e os episódios de refluxo desaparecerão ou melhorarão substancialmente, à medida que ele cresce. Pelos 6 meses, a grande maioria dos bebés que bolçam persistentemente deixarão de o fazer. Até lá, existem algumas medidas que os pais podem adoptar para diminuir o refluxo. A saber:
- Não virar a ‘botija’, nem espremê-lo contra nós. Se pensarmos no estômago como uma botija cheia de leite cujo gargalo é o esófago, percebe-se que se o ‘tombarmos de lado’ ele verte mais facilmente e, se o apertarmos, o leite sai por cima. Por isso, pegar com muito jeitinho nos bebés ‘bolsadores’. Geralmente, recomenda-se mantê-los na vertical (de pé, no colo) durante 20-30 minutos.
- Na hora de deitar, é aconselhável elevar a cabeceira. Nas imagem em cima, vêm um tipo de colchão que se compra e que é mesmo muito inclinado. De tal forma que a criança tem que ficar ‘suspensa’ por um baloiço de pano. Um truque que aprendi (e que fica muito mais barato) é (1) colocar uns livros debaixo do tampo do berço de forma a ele fazer o tal ângulo de 45º (2) fazer o tal baloiço com um rolinho de lençol preso por baixo do colchão. Apesar de haver alguma controvérsia sobre isto, eu julgo que a DRGE é única indicação para não deixar o bebé a dormir de barriga para cima, pois virá-lo sobre o seu lado esquerdo, diminui o risco de vómito sem aumentar o risco de morte súbita (ver mais aqui). Mais uma razão para personalizar o baloiço de pano, pois os que se vêm nas imagens só permitem a posição de decúbito dorsal (termo técnico de ‘barriga para cima’).
- Não encher o estômago em demasia. Se a ‘botija’ ficar quase a transbordar de leite, é mais fácil que verta. Nos bebés com refluxo é preferível alimentar mais vezes ao dia (intervalos de 2/2h se fôr necessário) em menor quantidade. Se o bebé beber leite de fórmula/da farmácia é fácil fazer o cálculo das necessidades basais e espaçar convenientemente ao longo do dia. (Podem ver como se fazem essas contas aqui.)
- Evitar a entrada de gás em excesso. Se o bebé é muito sôfrego a mamar ou adapta mal ao mamilo (ou tetina), engole muito ar, com as consequências que expliquei em cima. A eructação (vulgo ‘arroto’) é um ‘escape’ para esse ar sair, mas favorece o retorno do leite também.
- No bebé alimentado com leite de fórmula/da farmácia, discuta com o médico/pediatra assistente a hipótese de mudar para uma fórmula AR ou mesmo um hidrolizado proteico. Existe uma pequena percentagem de intolerâncias às proteínas do leite de vaca que se manifestam como DRGE. Se esta mudança não resultar, há quem ‘espesse’ o leite com uma colher de papa. Fale primeiro com o médico/pediatra assistente se essa é uma boa estratégia para o seu filho e qual a melhor papa para o fazer.
No que diz respeito a medicação anti-refluxo, existe muita controvérsia à volta do real benefício da domperidona (Motilium) no tratamento do RGE versus algum risco cardíaco reportado por alguns artigos. Quer sobre o risco, quer sobre o benefício existem artigos para todos os gostos, pelo que não existe uma conclusão consensual. Existem ainda outros fármacos que pretendem diminuir a acidez do estômago, cuja prescrição está reservada a casos mais graves. Daí (e nem deveria ser necessário escrever isto) discuta com o médico/pediatra assistente antes de iniciar qualquer medicação.
Birras, castigos, consequências e justiça
Como prometido, os ‘Convidados Especialistas’ até ao final do ano serão mães-bloguers. Serão, por isso, convidadas especialíssimas. Hoje, temos a autora de um dos blogues mais úteis da blogosfera. A Boss (como carinhosamente lhe chamo) é a Magda Gomes Dias (Dra.). A Magda tem se dedicado à Inteligência Emocional e ao Coaching, sendo formadora nas áreas comportamentais, desde 2002. Do blogue, nasceu o website Parentalidade Postiva, onde podem encontrar muita informação sobre este tema e as datas para os workshops que ela própria organiza (e eu recomendo vivamente). A Magda é Mãe da Carmen (4 anos) e do Gaspar (9 meses).
Birras, castigos, consequências e justiça
Magda Gomes Dias
Com muita frequência os pais falam-me, com preocupação ou sentimento de impotência, acerca das birras dos filhos.
Com muita frequência usam expressões como ‘ele está a testar-me’, ‘ele sabe o que me tira do sério’, ‘é impressionante, com o avô não faz ele isso’.
E é curioso como estas frases são mais frequentes em pais de crianças com filhos entre os 18 meses e os 5 anos.
E perguntam-me depois ‘o que é que eu faço nestas situações?’
Então vou contar-te o que eu sei.
Eu sei que, na maior parte das vezes eles não estão nem aí para o ‘desafio’, o ‘teste’ ou a ‘provoção’.
Não?, perguntas tu? E eu respondo-te que ‘não’, e passo a explicar.
As vulgares birras, e choros e ‘os cinco minutos’ do teu filho são o reflexo de uma frustração qualquer. Ou ele não consegue encaixar as peças dos legos, ou ele quer continuar a brincar na piscina em vez de ir embora para casa, ou bem que ele quer, porque quer ir de havaianas para o colégio em vez de galochas. Ele quer isso, ele acha que pode. Tu não deixas. Ele chora, grita, mostra a frustração dele, o descontentamento. Num mundo ideal tudo seria possível. Como não há mundo assim, essa é a forma que ele arranja [e todos eles] para mostrar o desagrado.
Até aqui tudo certo, é fácil e lógico de entender.
Agora vamos pegar num caso concreto.
Hoje decides ir com o teu filho ao supermercado. São as promoções do Natal, está tudo a 50%. Dizes-lhe que vais só entrar, levar o detergente para a loiça e o pacote de guardanapos que está a faltar lá em casa. Dizes-lhe que não vais levar mais nada e ‘temos mesmo de fazer isto a correr, não vou comprar mais nada, não vale a pena pedires ou estares com coisas. ’. E passas a correr pelos corredores que transbordam de caixas cheias de bonecos. Ele quer ver. Tu continuas. Como ele até está calmo, aproveitas para levar mais uns bifes de frango, iogurtes para os lanches e um garrafão de água. E ele começa a ficar chato, birrento. Começa a dizer-te que quer as bolachas do mickey, depois já quer a escova de dentes do homem-aranha e agora quer o dentífrico do cars. Tu percebes que tens de ir embora mas pensas até podias levar mais uns ovos e um saco de arroz, afinal de contas é num instante. Mas ele diz que ‘preciso mesmo da escova do mickey porque a minha já é velha’. E tu dizes ‘pronto, pega lá mas é a última coisa que pedes caso contrário vamos já embora.’
O que é que ensinaste? Ensinaste a testar limites.
Como assim?, perguntas tu.
Disseste que não valia a pena pedir nada.
Ele pediu 3 ou 4 vezes. Tu deste.
Ele percebeu que quando insiste obtém o que quer.
Da próxima vez vai repetir o comportamento. Simplesmente repetir.
Não é um teste, não é uma provocação. É, simplesmente, a repetição de um comportamento.
E isto leva-me à questão dos castigos. Tantas e tantas vezes castigamos os nossos filhos por sentirmos que eles estão a ‘esticarem-se’ [quando tantas vezes fomos nós que os baralhámos, não é?].
Vamos lá de novo pegar num exemplo concreto.
Vais ao supermercado, o teu filho começa a dificultar-te a tarefa e tu pedes que se acalme e se comporte. Ele continua e tu dizes-lhe que caso continue naquilo, da próxima vez não vai contigo.
E ele continua e tu fazes o que tens a fazer e sais exaust@ desse supermercado.
Dali a dois ou três dias decides ir ao supermercado. Ele diz que vai contigo. E tu dizes-lhe que não. Relembras a conversa e lembras que foi ele que decidiu que desta vez não iria contigo [afinal de contas tu deste-lhe a escolher]. E ele chora e diz que se vai portar bem.
A tua decisão [de o levares, ou não] pode ser estruturante e constructora. É uma situação do dia-a-dia e tu tens na mão a possibilidade de retirar o sofrimento/tristeza/frustração do teu filho. E de ti também porque afinal sabes que pode estar a sofrer/triste/frustrado.
Esta tua decisão tem mais impacto do que um castigo proferido dois dias antes como um ‘então quando chegarmos ficas sem ver o Panda’. Isto porque a situação do supermercado nada tem a ver com o Panda. E um castigo mostra que os grandes têm poder – mas não lhe ensina, directamente, a consequência do comportamento e a responsabilidade que ele tem nas decisões que toma.
Quando decides que não o vais levar estás a trabalhar no futuro, também. Da próxima vez, ele vai lembrar-se que ele tem em si o poder de
- decidir o comportamento dele
- decidir o futuro
- tomar uma decisão em consciência porque sabe que a mãe/pai faz bater a bota com a perdigota e não tem de ser má ou sentir-se mal porque vai ter de aplicar um castigo… O que vai acontecer é que ele é que vai escolher. E a escolha é só dele, capisce?
Fácil, não é? Nop! É mesmo muito difícil, sobretudo quando tens de fazê-lo cumprir uma consequência 2 dias depois e quando ele até se anda a portar bem. Asseguro-te que é muito mais duro para ti do que para ele. Ainda assim, esta decisão e atitude é muito mais coerente, justa e ensina muito mais.
E quando é justo, eles aceitam a autoridade dos pais.
Educare para a radiação de alguns exames
Ando com um pouco de preguicite para escrever textos científicos. Para mais, o texto que estou a preparar é sobre refluxo gastro-esofágico – tema que dá pano para mangas… Enquanto sai e não sai, deixo-vos a sugestão para visitarem a Educare.pt. Existe lá uma secção da responsabilidade do Serviço de Pediatria aqui do Hospital de Braga.
O último texto é sobre os ‘Efeitos da radiação dos exames de imagem em idades pediátricas‘. Quantas vezes ouvimos a queixa «não é melhor fazer um raio x?» ou pior «a minha vizinha também caiu e só com a TAC é que lhe encontraram o hematoma na cabeça…*» Os pais depositam muitas esperanças nos exames auxiliares de diagnóstico. Esperanças legítimas, mas na maior parte das vezes infundadas. Como o próprio nome diz, os exames são auxiliares, isto é, ajudam o médico a chegar ao diagnóstico. Se ele não precisou de irradiar a criança para lá chegar, melhor. Se, depois da história clínica e do exame físico cuidado, o médico mantém dúvidas, então ele terá que ponderar os riscos e os benefícios de cada um dos exames. Como podem ler no texto,
(…) cedo se soube que nem todas as técnicas de imagem seriam inofensivas. Aquelas que têm como base a onda de raio-x como as radiografias ou as TACs, emitem radiação que, de facto, poderá ser prejudicial ao ser humano. Outras como a ecografia ou a ressonância magnética não emitem radiação, contudo não substituem as primeiras.
Invariavelmente, as radiografias e as TAC são técnicas valiosíssimas como procedimentos diagnósticos, detetando por exemplo fraturas ósseas ou pneumonias. A TAC é um exame de imagem mais pormenorizado, porém, a radiação de uma TAC equivale a centenas de radiografias. Estudos científicos têm vindo a demonstrar que crianças que fazem mais TAC têm um risco maior de no futuro vir a desenvolver tumores cerebrais ou leucemias.
O website foi recentemente mudado e parece-me que se tornou mais difícil consultar o arquivo (são 153 artigos diferentes publicados ao longo de quase 10 anos). Deixo-vos a ligação para a dita secção de Pediatria. Daí podem ‘folhear’ dos textos mais recentes para os mais novos ou fazer uma pesquisa de algum termo que vos esteja a preocupar.
* sobre os traumatismo cranianos é sempre bom recordar os sinais de alarme que deixei aqui.
Saúde para Moçambique
Numa altura em que Moçambique está na ordem do dia pelas piores razões, quero-vos falar de um projecto valioso que está a nascer, para ajudar aquela população. A Health4Moz é uma ONG portuguesa que pretende ajudar e qualificar os serviços de saúde de Moçambique. A cara por trás da Health4Moz é a Professora Carla Rêgo, reconhecida pediatra e um dos rostos do Hospital CUF Porto, que se tem destacado na área da nutrição pediátrica.
Fiquei a conhecer a vocação ‘humanitária’ da Professora Carla, porque ambos fazemos parte do Núcleo para a Cooperação com os Países Lusófonos da Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos. (Sim, mais uma actividade profissional em que estou metido, há cerca de 3 anos.) Nas reuniões desse núcleo, entre outras coisas, discutíamos como nós, médicos, profissionais de saúde, Portugueses, poderíamos fazer uma assistência médica que não se limitasse a prestar cuidados clínicos imediatos, mas que qualificasse e organizasse serviços médicos de qualidade, um trabalho que perdurasse.
A Professora Carla Rêgo passou da discussão à prática e mobilizou uma série de colegas das áreas pediátricas. Assim, e ao contrário da assistência médica que estamos mais habituados a ver, a Health4Moz propõe um trabalho estruturado, tendo o ensino as Universidades como principal base de trabalho. A Health4Moz tem o apoio da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e a Universidade Lúrio (Nampula, Moçambique). Seria injusto não referir que. a trabalhar com a Professora Carla, existe um vasto número de profissionais dispostos a abraçar esta missão (ver aqui). Profissional de saúde ou não, como pode ajudar a Health4Moz a dar os primeiros passos?
- Fazendo-se sócio aqui. A anuidade são €40.
- Participando no 1º Jantar Solidário Health4Moz. Será no dia 5 de Dezembro, no Restaurante dos Clérigos (que eu já tinha identificado como baby friendly). Custa €45 por pessoa.
- Seguir a Health4Moz no facebook. Grátis.
Não sei partilhar!
As comemorações do primeiro aniversãrio do blogue continuam. Hoje e todas as terças-feiras de 15 em 15 dias até ao final do ano, os Convidados Especialistas vão ser mães bloguers. Começamos com a Olga Reis, do Rei Vai Nú. A Olga é psicóloga e dedica-se mais à psicologia pediátrica, psicoterapia, desenvolvimento infantil e parentalidade. É Mãe da Leonor (4 anos) e do Afonso (2 anos). Pedi à Olga que me escrevesse sobre partilhar. Vejam só a qualidade deste texto…
Não sei partilhar!
Olga Reis
Saber partilhar é uma competência importante para nos relacionarmos com os outros. Contudo, os pais não devem estar à espera de que a criança compreenda completamente a “partilha” até cerca dos 4 anos. Aprender a partilhar leva tempo. É importante apoiar a criança nesta aprendizagem, mas atendendo ao que é capaz.
O que a criança precisa de aprender para partilhar?
Aprender a partilhar leva tempo porque existem uma série de coisas para aprender. É preciso conseguir controlar o impulse de tirar as coisas aos outros, conseguir perceber o ponto de vista de outras crianças, perceber o tempo suficientemente bem para conseguir aceitar que não faz mal esperar um pouco para ter o que ser quer e ser capaz de falar suficientemente bem para negociar quem fica com o quê e quando.
Mas afinal o que sabem as crianças sobre partilhar?
Aos dois anos a criança só sabe que quer qualquer coisa e que a quer agora! A criança pode ainda nem perceber bem as noções de pertença e achar que tudo é seu. Às vezes pode até entender que tem umas regras um pouco estranhas, como: “É meu porque eu quero” ou “Quero porque tu o tens”.
Pelos 3 anos, a criança está em plena fase de treinar a partilha. As crianças podem até passar bastante tempo a decidir quem vai ficar com que brinquedo, quem faz o quê e quem pode brincar. Mas às vezes é difícil.
A partir dos quatro anos, a criança consegue emprestar e trocar melhor e gosta de dar e receber.
Como encorajar a criança a partilhar?
Seja um bom modelo. Se partilhar e trocar a vez com a criança, ela aprenderá que é agradável quando partilham com ela e fará o mesmo com os outros.
Dê oportunidades à criança para aprender, mas com calma. É importante a criança ter oportunidades para brincar com outras crianças. Quando são muito pequenas, é importante compreender que a criança ainda tem dificuldade em aceitar que nem tudo é seu ou que os outros também gostariam de brincar.
Elogie. Elogiar a criança sempre que ela faz alguma coisa é um óptimo reforço e uma boa forma de incentivar o comportamento de partilha. Descreva como a outra criança se sente, “ A Joana está toda contente por lhe teres emprestado a tua boneca um bocadinho”.
Oriente. Se a criança quer muito um brinquedo que outra criança tem, ajude-a a encontrar outra coisa interessante. Dessa forma está a ajudar a criança a aprender a esperar. Tenha paciência. Não se esqueça de que aprender a partilhar leva tempo.
Aceite que haverá problemas e que a criança nem sempre conseguirá esperar ou desistir de um brinquedo. Nunca castigue a criança por não partilhar, pois o que se pretende é que a criança aprenda que partilhar é uma coisa boa e não que é obrigada a partilhar.
Ajude a negociar. A partir dos três anos, ajude a criança a negociar a distribuição dos brinquedos com os outros. Pode estabelecer um tempo (5 minutos) para cada um ter o brinquedo.
E quando nada parece resultar?
Se pelos quatro/cinco anos a criança continua a não conseguir cooperar com os outros e é agressiva ou desagradável, peçam apoio aos vossos profissionais de saúde.














