Vídeo fabuloso dum feto com a sua banda amniótica

Há dias, falou-se aqui das bandas amnióticas, o que serve de mote perfeito para resgatar o hábito de explicar algumas das patologias da cirurgia pediátrica, falando delas um bocadinho mais em profundidade.

O que são bandas amnióticas? São uns fios de fibrose que resultam de pequenas rupturas da bolsa amniótica (onde reside o feto). Estas bandas ficam soltas no líquido amniótico e podem colar-se ao feto em desenvolvimento e até enrolar-se nalguns dos seus membros.

Como se manifestam? As bandas amnióticas podem ser visíveis nas ecografias pré-natais outras vezes são visíveis apenas as consequências das mesmas. Quando as bandas amnióticas se enrolam num braço ou numa perna, podem levar ao inchaço da mesma, ou no casos mais severos, comprometer o sangue que lá chega levando a uma atrofia ou mesmo amputação de um membro. A banda amniótica também pode envolver o umbigo, apenas um dedo, uma mão/pé, uma zona da face ou o corpo todo, pelo que existe uma panóplia muito grande de alterações: dedos amputados, deformidades faciais e, no limite, morte do próprio feto. É frequente as alterações serem tão ténues que apenas se notam à nascença, como pequenas ‘pulseiras’  à volta de um antebraço ou duma perna.

Qual o tratamento? Em casos muito seleccionados, a cirurgia fetal pode ser uma opção. A técnica consiste em introduzir uma óptica/câmara até ao saco amniótico e procurar libertar essas bandas com ajuda de um laser. A fetoscopia aumenta o risco de parto permaturo, hemorragia e infecção, pelo que é necessário riscos e os benefícios, caso a caso. Esta técnica não é realizada em Portugal. Uma vez que os casos que beneficiam de cirurgia fetal são muito raros, a experiência concentra-se em grandes centros materno-infantis, espalhados pelo mundo.

O vídeo que se segue é de uma fetoscopia. Mesmo os mais impressionáveis, podem ver porque são imagens muito bonitas da vida intra-uterina. São notadas bandas amnióticas envolvendo os dedos do pé direito, mas não se vê o laser em acção. Se seguirem esta ligação, encontram o corte de uma banda amniótica de um pé.

Para saberem mais sobre as bandas amnióticas, podem consultar o Cincinnatti Fetal Center. É lá que está um bom amigo, cirurgião pediátrico O Dr. José Luís Peiró, saiu do Hospital Vall d’Hebron (Barcelona), onde viinha a desenvolver um trabalho pioneiro nesta área, mas (como o próprio me confirmou) deixou lá uma equipa com experiência e com a qual continua a colaborar nos casos mais complexos.

As 10 desculpas mais utilizadas para não dar sangue

1. Tenho medo de dar sangue. Uma grande parte das pessoas sente isso quando vai dar sangue pela primeira vez. Mas logo depois, perdem o receio e a dádiva de sangue torna-se natural e simples. Observe o à-vontade e descontração das pessoas que regularmente vão dar sangue e tire as suas conclusões

2. Não tenho tempo. Todo o processo da dádiva, desde a inscrição, entrevista médica, recolha de sangue até à refeição, demora menos de uma hora.

3. O meu sangue não é bom. Uma amostra do seu sangue será analisada. Se for detetada alguma alteração, terá conhecimento disso e será informado sobre medidas a tomar.

4. O sangue faz-me falta. Num adulto existem entre 5 e 6 litros de sangue. No decorrer da dádiva ser-lhe-á colhido menos de 10% do volume total de sangue do seu organismo.

5. Vou sentir-me enfraquecido(a) depois da dádiva. Uma unidade de sangue doada tem 450 ml. As proteínas e as células sanguíneas existentes neste volume são rapidamente repostas em circulação pelo organismo.

6. Tenho medo de ficar doente. Todo o material utilizado para colher o seu sangue é estéril, descartável e de utilização única. Não há nenhum risco de adquirir uma doença infecciosa com a doação de sangue.

7. Não tenho idade para dar sangue. Qualquer pessoa saudável, com idade compreendida entre os 18 e os 65 anos pode dar sangue sem qualquer problema.

8. O meu tipo sanguíneo não é o que faz mais falta. Todos os tipos de sangue são necessários, mesmo aqueles que são mais raros. Basta que se lembre que você mesmo pode precisar de sangue.

9. Já há muita gente que dá sangue. É verdade, mas a procura de sangue, componentes e derivados não cessa de aumentar, graças aos progressos da ciência médica e à crescente extensão dos benefícios de uma assistência que se pretende de melhor qualidade a um número cada vez maior de pessoas.

10. Já dei sangue este ano. Qualquer pessoa pode dar sangue várias vezes por ano. Os homens de 3 em 3 meses e as mulheres de 4 em 4 meses.

Este texto faz parte integrante dum folheto informativo disponibilizado pelo recém-inaugurado banco de sangue do Hospital de Braga. O sangue é tão escasso quão necessário. Como não pode ser criado artificialmente, os stocks dos hospitais dependem das doações dos cidadãos saudáveis. Só no Hospital de Braga, e no ano 2014, foram necessárias cerca de 7 mil unidades de sangue para dar resposta aos doentes que dele necessitavam.

Do que preciso para dar sangue? Estar em boas condições de saúde,  ter entre 18 e 65 anos (até aos 60 anos se for uma primeira dádiva), ter pelo menos 50 kg e não estar em jejum. Quando posso dar sangue? O Banco de Sangue do Hospital de Braga situa-se junto ao Serviço de Psiquiatria e funciona nos dias úteis das 9h às 13h. Para mais informações, pode consultar no website do hospital.

Eu sei que não tenho aparecido muito por aqui, mas, sendo a causa tão importante, peço-vos o favor de passarem esta mensagem.  

O que damos a comer aos nossos filhos?

Tem sido bastante partilhado nas redes sociais esta reportagem da SIC Notícias, pelo que não é pela novidade que faço questão de referir aqui a Grande Reportagem Interactiva “Somos o que comemos”.
É antes pela relevância do tema desta peça jornalística que é exemplar quanto à qualidade dos entrevistados (uma delas a nossa convidada-especialista Professora Carla Rêgo) e pela forma muito didáctica como o tema da obesidade infantil foi exposto. A versão online permite algumas funcionalidades interessantes, entre elas ‘carregar’ em textos de destaque e ver imagens com dados nutricionais importantes.

Alguns reagiram à reportagem classificando-a de alarmista, mas garanto-vos que não é. Da experiência que tenho em lidar com crianças todos os dias, tenho a perfeita noção que a alimentação das nossas crianças é cada vez mais errada e, na maioria das vezes, por ignorância dos pais. Muitos alimentos ‘de plástico’ são nos vendidos como ‘bons para o crescimento’, com ‘alto valor nutritivo’, etc. e os pais vão comprando enganados. Depois há os pais que deixam comer doces por que o filho é magro. «Os pais não devem ficar descansados quando o seu filho, que come muitos doces, é magro. Muitos desses meninos, que são longilíneos, têm alterações dos lípidos no sangue, têm problemas de aterosclerose. Não são gordos, mas têm alterações metabólicas. Nem tudo o que é mau se vê. Nem tudo o que é mau dói.» – palavras da Dra. Júlia Galhardo, outra das entrevistadas. Como complemento vale a pena ler a entrevista publicada na Visão.

Havemos de voltar a este tema.

Hérnia epigástrica sem cicatriz

Publicado! A revista da Associação Americana de Hérnias já colocou online o nosso artigo ‘Scarless laparoscopic repair of epigastric hernia in children’, meaning «Reparação laparoscópica da hérnia epigástrica da crianças sem cicatriz». Cirurgia laparoscópica ‘made in Portugal’.

Em Janeio de 2014, neste mesmo blogue publiquei a fotografia da esquerda: uma cicatriz de uma hérnia epigástrica operada por mim meses antes. Nos comentários, uma leitora escreveu: «Fui operada a uma hérnia da linha branca aos 2 anos, a cicatriz já tem 30 anos e ainda hoje me incomoda, quem me dera que tivesse sido só esse um cm…». Eu sorri, porque, apesar do elogio, eu não estava contente com uma cicatriz tão visível. O cirurgião pediátrico vive muito com esta preocupação. As cicatrizes que deixamos numa criança são para a vida toda. Daí, termos uma preocupação muito grande em deixá-las o mais pequenas possível, em sítios escondidos, e com técnicas de sutura intradérmica para ficarem lineares e pouco perceptíveis.

Na investigação que temos feito, o desafio é fazer desaparecer por completo as cicatrizes. A imagem à direita é de uma rapariga submetida a reparação ciúrgica da hérnia epigástrica pela nossa técnica. Um mês depois, não tem cicatriz visível.

Perdoem-me este meu momento de vaidade, mas acho que é o feito mais importante da minha vida enquanto cirurgião-investigador. Para além dum reconhecimento científico importante, publicar numa revista como a Hernia é uma forma rápida de divulgação da técnica pelos cirurgiões pediátricos de todo o mundo. Se tudo correr bem, em breve deixaremos de ver a cicatriz da esquerda.

Vacinas protegem (também) contra as alergias

Como poderão saber, uma das razões/medos dos pais que optam por não vacinar os seus filhos é que as vacinas possam ser responsáveis por reacções alérgicas, mesmo que mais tarde, ao longo da vida da crianças. Mas, no último Congresso Anual da Associação da Mundial das Alergias, um grupo de investigadores de Leipzig apresentou um estudo surpreendente.

Num estudo que envolveu 2187 crianças, os autores compararam crianças com o plano nacional de vacinação completo (alemão) com crianças não vacinadas (ou plano incompleto). Ajustando os dados para género, número de irmãos, exposição a fumo passivo, gatos, trânsito e predisposição genética, chegaram à conclusão que o grupo não vacinado apresentava uma maior prevalência de eczema atópico e outros sintomas alérgicos. Concluindo, a vacinação não só não provoca alergias como protege as crianças contra elas.

Apesar de não estar ainda publicado, o resumo da apresentação pode ser consultado aqui. Para mais alguns pormenores, podem consultar a notícia deste estudo na medscape.  Finalmente, aconselho vivamente a leitura da reportagem que o Observador fez sobre o ‘vacinar ou não vacinar?’, sendo que para mim a questão nem se coloca.

[fonte: observador.pt]

O nosso exemplo é a melhor lição que podemos dar aos nossos filhos

Quando fui entrevistado pela Activa a propósito do que os médicos fazem para se manterem saudáveis, a pergunta estendia-se ao que nós fazíamos para promover hábitos de vida saudáveis aos nossos filhos. Isso deu origem a uma longa reflexão que gostaria de partilhar convosco. É sobre o que é ser saudável (não só do ponto de vista biológico, mas também sobre o ponto de vista psicológico e sobretudo social), de como o nosso exemplo é a melhor lição que podemos dar aos nossos filhos e de como não devemos ser demasiado radicais nos sacrifícios por uma vida saudável. É um texto algo comprido (mais do que vos venho habituando), mas julgo que toco numa série de pontos importantes e que angustiam alguns pais. Se gostarem, partilhem por favor.

A Medicina tem mostrado que uma boa alimentação e a promoção de hábitos de vida saudável previnem uma série de doenças. Os exemplos mais conhecidos são do foro cardio-vascular (prevenção do enfarte agudo do miocárdio, prevenção da hipertensão arterial), mas os benefícios estendem-se à prevenção de doenças respiratórias, metabólicas (diabetes), osteo-articulares, oncológicas e neurológicas. De facto, ter uma boa alimentação, praticar desporto aeróbio, respeitar os ciclos do sono, entre outros não só permitem prolongar a vida como melhorara a qualidade desta.

No que às crianças diz respeito, os efeitos profilácticos de uma boa alimentação e dos hábitos de vida saudável são visíveis desde cedo. A obesidade é já considerada a grande epidemia do século XXI. Em Portugal, estima-se que 30% das crianças tenham excesso de peso e mais de 10% são obesas. A promoção de uma boa alimentação e da prática regular de exercício físico passa pela educação, seja aquela ministrada pelos professores na escola, seja aquela que os pais transmitem em casa. Eu atrever-me-ia a dizer que esta última é a mais importante. Mais importante, porque começa mais cedo (antes de as crianças entrarem na escola). Mais importante, porque prevalece apesar das mudanças na escola. Mais importante, porque as crianças olham para os pais como exemplos.

Muito da aprendizagem infantil faz-se por imitação. As crianças imitam os modelos que têm em casa. Se os pais comem sopa antes do prato principal, eles fá-lo-ão naturalmente. Se os pais bebem água em vez de sumo ou vinho, as crianças sentem que isso é o normal. Se os pais saem para correr ou dar longos passeios com regularidade, a criança vai querer seguir as pisadas. E o mesmo se aplica a lavar as mãos antes de ir para a mesa, ‘deitar cedo e cedo erguer’, escovar os dentes regularmente , etc.

Em casa, tentamos ter uma alimentação o mais equilibrada possível assim como manter hábitos de vida que consideramos serem saudáveis. O facto de ter tirado um curso de Medicina, permitiu ir moldando o meu comportamento às novidades que ia aprendendo. Mais tarde, com o nascimento do meu primeiro filho, comecei a ter mais a consciência de que tudo o que eu fizesse seria ‘absorvido’ por ele como um exemplo. Tornou-se para mim mais claro que na alimentação teríamos que ter mais cuidado em ter uma oferta mais rica em peixe, que não poderia ‘saltar refeições’ ou subsitutuí-las por sandes, que aboliria os refrigerantes às refeições, que comeria mais vegetais e fruta, etc.. Claro que temos as nossas transgressões, de vez em quando. Sabe bem quebrar as regras, uma vez por outra. Eu diria até que é saudável quebrar as regras. Para além disso, o que hoje achamos ser correcto (em termos médicos) amanhã pode não ser. As regras podem e devem ser adaptadas. Adaptadas ao tempo que vivemos e adaptadas às circunstâncias específicas em que vivemos. Julgo que é importante termos isto em mente. Não adianta vivermos  obcecados com demasiadas regras de saúde numa espécie de ditadura sanitária. Também não é saudável mantermos certos hábitos que para nós poderão ser um sacrifício, apenas porque nos dizem que é faz bem à saúde. A vida é para ser vivida, com prazer. Respeitando e preservando o nosso organismo, mas sempre com prazer.

Uma nota final para chamar a atenção para alguns hábitos de vida saudáveis que tendem a ser esquecidos. É que para além dos hábitos saudáveis biológicos ou sanitários não devemos esquecer outros hábitos que têm a ver com a nossa saúde mental e social. Alimentar a mente com arte e conhecimento, saber falar e ouvir, saber respeitar o próximo, ser solidário e compassivo são alguns exemplos de hábitos de vida saudável. É frequente ouvir pais a gritarem com os condutores do carro ao lado, a dizerem mal de colegas de trabalho ou do vizinho, a ignorar a companhia dos filhos em detrimento do telemóvel, trocar a conversa com quem temos ao nosso lado pelo chat do facebook. As crianças vêem e aprendem por imitação. A saúde não é só o bem estar físico. Ela é também bem-estar psicológico e social. Desde pequenos, é preciso instruir as crianças a ter bons hábitos psicológicos e sociais. Dar o exemplo pode ser um bom começo.

Atenção aos brinquedos perigosos

Que alguns dos brinquedos que se vendem por aí não estão adaptados às idades a que se destinam, eu já tinha ideia. Agora que 18 dos 40 brinquedos testados pela Deco apresentam riscos graves de segurança?! Isto deixou-me preocupado.

Primeiro, porque um dos brinquedos apresentados como perigoso esteve vai-que-não-vai para entrar na lista de uma amiguinha, fã da Peppa. Achei que iria gostar do autocarro da porquinha, mas, quando se vê no catálogo não imagina que aquelas pecinhas se soltam e são suficientemente pequenas para uma criança as engolir ou, pior, asfixiar.

[fonte: toysrus.pt]

Segundo, porque, lendo o artigo da Deco fiquei a perceber que o selo CE não é uma garantia de segurança. Não sendo obrigatório ao fabricante do brinquedo dizer a idade a que se destina o mesmo, a indicação que aparece lá escrita é opcional e meramente indicativa. O selo CE não é atribuído tendo em conta a idade que o fabricante indica. O que pode ser seguro para uma criança grande (6, 7, 8 anos) pode não ser para a criança de 3 (como muitas vezes vem indicado).

Conclusão, a própria legislação deixa a porta aberta para que os pais, avós, padrinhos, etc. sejam enganados na altura de comprar os brinquedos. Daí que, a Deco lançou um panfleto com 10 dicas para escolher brinquedos seguros. Dada a sua importância, transcrevo-as para aqui (devidamente sublinhadas e comentadas):

  1. Escolha brinquedos adequados à idade e desenvolvimento da criança a que se destina.
  2. Leia os avisos de segurança e as instruções de utilização. Se não existirem ou não estiverem em português, opte por outro brinquedo.
  3. Passe a mão pelas arestas, pontas e bordos e certifique-se de que não existe o risco de magoarem a criança.
  4. Verifique se tem peças pequenas que possam ser arrancadas com facilidade (por exemplo, rodas, olhos ou pêlos) e que caibam dentro de um rolo vazio de papel higiénico (comentário: tudo que seja suficientemente pequeno para passar na traqueia de uma criança e ser aspirado. Um perigo!!!) Em caso afirmativo, opte por outro produto.
  5. Certifique-se de que as pilhas estão num compartimento fechado com parafuso e que se abre com ferramentas (comentário: parece ser só para acrescentar trabalho, mas as pilhas são dos objectos mais tóxicos, quando engolidos acidentalmente. Outro perigo!!!).
  6. Máximo cuidado para brinquedos com fios compridos: estes não devem exceder os 22 cm, para que a criança não consiga enrolá-lo à volta do pescoço.
  7. Brinquedos com pés dobráveis, como quadros escolares  ou tábuas de engomar, devem ter um sistema nas pernas de suporte que os impeça de fechar completamente, para evitar entalar dedos (comentário: quantos acidentes destes acontecem connosco, adultos. Quanto mais com crianças?).
  8. Retire o brinquedo da embalagem, sobretudo se esta for de plástico, antes de o oferecer à criança (comentário: apesar da Deco não referir, julgo que muitos dos plásticos que protegem os brinquedos, são algo cortantes para as mãos dos pequenos). Guarde a identificação e morada do fabricante ou importador: é necessária, se ocorrer algum acidente.
  9. Evite que as crianças mais novas utilizem os brinquedos das mais velhas, quando possam constituir um risco (comentário: grande conselho para pais de segunda, terceira e mais viagem).
  10. Faça uma revisão periódica aos brinquedos e deite fora os que estiverem danificados (comentário: talvez a única vantagem de arrumar o quarto por eles, de vez em quando).

Sofás culpados por uma em cada oito mortes súbitas do lactente

Quando pensamos no síndrome de morte súbita raramente nos lembramos do perigo que são os sofás, mas um artigo recente no Pediatrics (Sofas and Infant Mortality) chama a atenção para este facto.

Os sofás são responsáveis por 12,9% das mortes súbitas do lactente (dados dos EUA). No sofá (mais que em outras superfícies, como o chão ou a cama), a morte é mais frequentemente atribuível a asfixia. A morte está associada a uma maior partilha do espaço com um adulto. Outro dos factores que contribuem para o perigo de morte é o facto da criança rolar para um dos lados do sofá.

[fonte: geekysweetheart.blogspot.pt]

Sei que sabe bem dormitar com um bebé a aquecer-nos o colo, mas também sei que muitas vezes somos vencidos pelo cansaço. Não é seguro. E porque nunca é demais recordar, deixo-vos aqui as recomendações para a prevenção da morte súbita no lactente:

  • Deitar o bebé para dormir sempre de costas. 
  • Prender o bebé de forma a que ele não vire durante a noite.
  • Quando acordado, deitar o bebé de barriga para baixo alguns minutos por dia, para que ele faça exercício e fortaleça os músculos do pescoço. 
  • Não deitar o bebé na cama com os pais (NEM NO SOFÁ). 
  • Não sobreaquecer o ambiente do quarto nem a cama. 
  • Usar chupeta para adormecer.
  • Manter o bebé (a dormir ou acordado) longe do fumo.
Podem ler as explicações de cada um destes pontos no texto que escrevi aqui.

[fonte: mommypotamus.com]

Cuidados a ter com as mochilas das crianças

Hoje trago mais um convidado especialista. O Dr. Rui Duarte é ortopedista. Partilha comigo a paixão e o ofício de investigador em ciências cirúrgicas e de docente de Fisiologia na Escola de Ciências da Saúde, da Universidade do Minho. Divide a prática clínica entre o Hospital de Braga (Público) e o Hospital Privado de Braga, tendo vindo a diferenciar-se na patologia da coluna. Quem melhor para escrever sobre os cuidados a ter com as mochilas dos pequenos e o seu impacto na saúde (presente e futura)? O texto está simples e directo e parece-me uma óptima ajuda para quem tem filhos em idade escolar (e não só).

 

Mochilas obesas
Rui Duarte

 

Com o decorrer do ano lectivo, surgem as queixas das crianças, e a preocupação dos pais, relacionadas com o desconforto e dor na coluna, que atribuem ao peso excessivo das mochilas que os filhos suportam diariamente.

 

Os estudos científicos publicados nas revistas médicas têm sido consistentes em demonstrar a associação entre o uso de mochilas pesadas e a dor na coluna vertebral durante a infância e a adolescência. Esta associação torna-se mais evidente em crianças sedentárias. Parece haver também uma relação directa entre a dor na infância e o desenvolvimento de patologia da coluna na idade adulta.

 

Do ponto de vista biomecânico, a criança adopta uma postura corporal inclinada para a frente de modo a suportar a carga da mochila. Esta atitude leva a uma alteração das curvaturas fisiológicas normais da coluna, isto é, um aumento da cifose dorsal e hiperlordose cervical (quando a criança levanta os olhos para ver o caminho). Estas alterações resultam em contracturas musculares crónicas da região cervical e cintura escapular. Paralelamente, esta alteração postural resulta também numa transmissão incorrecta da carga através da bacia e joelhos, levando a um aumento progressivo dos sintomas.

 

No sentido de minimizar estes problemas os pais podem tomar algumas medidas, relacionadas com a própria mochila e o seu conteúdo:

 

  • adequada no tamanho – se for muito grande, será mais difícil a sua adaptação à região lombar, e a criança terá tendência para levar peso extra.
  • adequada em design – devem ter alças largas, acolchoadas, ajustáveis nos ombros (nunca devem ser usadas num único ombro), um acolchoado na parte de trás e uma  alça de apoio na cintura.  As alças devem estar ajustadas de modo que a base da mochila, quando cheia, não ultrapasse 5cm abaixo da cintura. A existência de compartimentos no interior facilita a distribuição do peso e permite que os objectos mais pesados fiquem mais próximos da região lombar.
  • adequada em peso – as recomendações internacionais apontam para um peso que não deve exceder os 10-15% do peso da criança. Recentemente num estudo realizado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, com crianças do 2º ciclo,  alertou para uma prevalência global de excesso de peso na mochila escolar em 68,4 % dos alunos. O papel dos pais é fundamental: no dia anterior à noite devem controlar o peso que as crianças transportam nas mochilas e a sua distribuição. Tentar evitar ao máximo objectos desnecessários.

 

Uma vez que o sedentarismo é apontado como a principal razão de dor lombar em crianças em idade escolar, outra recomendação importante será o estímulo da actividade física regular para uma melhor saúde da coluna vertebral e de todo o sistema músculo-esquelético.

 

[Carregue sobre a imagem para ampliar]

 

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