Últimas recomendações sobre o sono das crianças e adolescentes

De volta aos nossos convidados especialistas. A Dra. Catarina Prior é uma amiga de longa data e também Mãe de um J. Ela é Pediatra do Neurodesenvolvimento do Centro Materno-Infantil do Norte (Centro Hospitalar do Porto), do Centro de Desenvolvimento Infantil do Porto e do Hospital Lusíadas Boavista. Recentemente, escreveu um artigo sobre o sono em idade pediátrica para a Revista Descubra as Diferenças. O texto está muito completo e eu pedi que ela ‘trocasse por miúdos’ para os leitores aqui do blogue. Leiam, porque está brilhante! Foi-nos muito útil cá em casa para estabelecermos algumas regras para regresso à aulas. No fim, encontram dois quadros adaptados dum panfleto da Sociedade Portuguesa de Pediatria sobre o mesmo tema. Pode imprimir e colar na porta do quarto do seu filho (cortesia aqui do blogueiro).

 

Últimas recomendações sobre o sono das crianças e adolescentes

Catarina Prior

 

O sono é um aspecto essencial da saúde e bem-estar do ser humano. Em idade pediátrica existe ampla evidência de que uma duração de sono insuficiente e/ou uma má qualidade do sono conduzem a sonolência diurna com comprometimento de diversas funções neurocognitivas como diminuição da flexibilidade do pensamento, do raciocínio abstracto, da destreza motora, da atenção e da memória, com consequente afectação da aprendizagem. A perda de sono e a sua fragmentação afectam também de modo directo o humor e a sua regulação, com irritabilidade, impulsividade, hipercinetismo, agressividade e aumento do risco de lesões acidentais. Além das consequências sobre o neurodesenvolvimento e o comportamento, os distúrbios do sono na infância têm ainda sido associados à ocorrência de patologia orgânica como excesso ponderal/obesidade e de hipertensão arterial.

 

A disrupção do sono infantil e juvenil tem repercussões nefastas também nos pais, aumentando nomeadamente o risco de depressão materna e de disfunção familiar. O sono é, portanto, um aspecto que não deve ser descurado. A Academia Americana de Medicina do Sono (American Academy of Sleep Medicine – AASM) publicou recentemente (J Clin Sleep Med 2016;12(6):785–786) uma declaração de consenso relativa à quantidade de sono recomendada em populações pediátricas, corroborada pela Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics – AAP).

Com base na análise efectuada os peritos recomendam as seguintes horas de duração de sono, numa base regular, com vista à promoção de uma saúde óptima:

  • Lactentes dos 4† aos 12 meses: 12 a 16 horas por 24 horas (incluindo sestas)
  • Crianças de 1 a 2 anos: 11 a 14 horas por 24 horas (incluindo sestas)
  • Crianças de 3 a 5 anos: 10 a 13 horas por 24 horas (incluindo sestas)
  • Crianças de 6 a 12 anos: 9 a 12 horas por 24 horas
  • Adolescentes de 13 a 18 anos: 8 a 10 horas por 24 horas

† – Não foram contempladas nestas recomendações idades inferiores a 4 meses devido a uma ampla variação dos normais padrões e duração de sono nesta faixa etária, bem como à insuficiente evidência científica de associação com consequências na saúde.

 

Foi ainda identificada clara evidência científica de que dormir o número de horas recomendadas numa base regular está associado a melhores resultados na saúde nomeadamente a nível da atenção, comportamento, aprendizagem, memória, regulação emocional, qualidade de vida e saúde mental e física.

 

Para além destas recomendações, a AAP recomenda que todos os ecrãs sejam desligados 30 minutos antes de deitar e que televisão, computadores e outros ecrãs não devem ser permitidos nos quartos das crianças e adolescentes. Para lactentes e crianças pequenas, o estabelecimento de uma rotina de deitar é importante para assegurar que durmam o suficiente em cada noite.

 

Adaptado de O Sono em Idade Pediátrica: recomndações relativas à sua duração.

 

sono+criança

 

sono+adolescente

 

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O que os pais devem saber quando escolhem um desporto para os filhos

Saiu um artigo da maior importância para os pais de jovens desportistas e não só. O artigo publicado pela Associação Americana de Pediatria pretende ser um documento orientador para os pediatras e cuidadores de crianças que praticam desporto. Não sendo eu pediatra (porque sou cirurgião pediátrico), sou pai de um rapaz que adora desporto. Mais, acho que nós pais (e Mães) atentos procuramos que os nossos filhos façam muito desporto como parte integrante de uma vida saudável. Mas quantos desportos devem as crianças praticar? Devem especializar-se num só desporto ou diversificar? Quantas horas por semana? Estas e outras perguntas são respondidas neste artigo que revê tudo o que a ciência conseguiu estudar e provar até ao momento.

 

Indo por partes. Os benefícios do desporto infantil estão estudados e são consensuais: melhora as capacidades motoras das crianças, facilita a sua socialização, promove a autoestima, o trabalho de equipa e a capacidade de liderança, é um divertimento saudável. Mas depois há um lado negro do desporto, em particular do desporto de competição (isto são dados dos EUA): (1) 70% das crianças que frequentam desporto ‘organizado’ (desporto em clubes) desistem por volta dos 13 anos; (2) pelo menos 50% das lesões desportivas em crianças e adolescentes são por excesso de esforço (overuse). E para quê? (Continuamos com dados dos EUA.) Apenas 1% dos atletas que competem no high-school level recebem bolsas. E apenas 0,03-0,5% deles chegarão a um nível profissional. De facto, por muito que nos entusiasme imaginar que os nosso filhos serão os melhores naquele desporto, a probabilidade de serem atletas profissionais é muito muito pequena.

 

Nós (pais) temos tendência a projetar as nossas frustrações nas expectativas que criamos para o futuro dos nossos filhos. «Já viste como gosta da bola? O puto há-de ser o próximo Ronaldo.» «A minha princesa vai ser a bailarina que eu nunca consegui ser.» «No que depender de mim, dar-lhe-ei todas as condições para ser o melhor.» «E desde cedo, porque eu só não aprendi, porque já fui tarde…» É aqui que a porca torce o rabo, porque (1) o desporto infantil não pode servir para apaziguar as frustrações dos pais, (2) o problema não está em começar tarde um desporto. Este é uma ideia errada que muitos pais têm.

 

A estatística americana (que julgo poder aplicar-se à nossa realidade) mostra que a especialização num só desporto demasiado cedo na vida da criança leva a uma taxa maior de desistência da carreira desportiva. Para além do mais, existem outros riscos associados ao desporto de competição em idade precoce: isolamento social, lesões desportivas, ansiedade, depressão e até abuso físico, emocional e sexual por adultos envolvidos nas atividades do clube. É mais importante para a criança entre os 0 e os 12 anos experimentar muitos desportos. Diferentes desportos representam diferentes movimentos, diferentes competências físicas, psicológicas e sociais, diferentes ambientes, etc.

 

Em estudos comparativos (agora já com amostras europeias), provou-se que a diversificação precoce (ou seja, variar muito os desportos que a criança) e a especialização tardia (ou seja, centrar num desporto somente mais tarde na adolescência) relaciona-se com um maior sucesso desportivo em competições de elite. Com excepção de alguns desportos, como a ginástica e a patinagem artística, onde o pico de performance acontece antes da maturação física, todos os outros desportos devem ser praticados em especialização/exclusividade após a adolescência.

 

Posto isto, o artigo resume algumas informações que os pediatras e cuidadores devem ter em mente quando discutem a vida desportiva das crianças:

 

Primeiro, o foco principal do desporto é a diversão e aprendizagem de competências físicas que nos serviram para toda a vida. Quanto ao número de horas/semana que a criança deve praticar desporto organizado, uma regra que se pode aplicar é: número de horas/semana deverá ser sempre menor que a sua idade em anos (para um máximo de 16 anos).

 

Segundo, a participação em múltiplas actividades desportivas até à puberdade, diminui o número de lesões, stress e burnout dos jovens desportistas. A especialização tardia (fim da adolescência) relaciona-se com maior sucesso desportivo. A diversificação precoce e a especialização tardia aumenta a probabilidade de envolvimento desportivo por toda a vida, bem-estar físico futuro e possivelmente mais participação em desporto de elite.

 

Terceiro, se um jovem atleta decide especializar-se num só desporto, é importante:

  1. Discutir com o jovem quais os seus objectivos pessoais e distingui-los dos nossos (pais) e dos dos treinadores.
  2. Estar atento ao ambiente de treino e às práticas, para saber se estão de acordo com as melhores práticas para aquele desporto em específico.
  3. Ter pelo menos 3 meses de pausa/ano, dividido em períodos de 1 mês. Esta pausa refere-se ao desporto que o jovem pratica, mas pode/deve ser substituídos por outras actividades físicas que mantenham a boa-forma do atleta.
  4. 1-2 dias por semana de folga do seu desporto pode diminuir o número de lesões.
  5. Monitorizar o estado físico, psicológico e nutricional dos jovens atletas.

 

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Pode ler o artigo original aqui: Sports Specialization and Intensive Training in Young Athletes.

 

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Simpaticectomia toracoscópica para o tratamento da hiperidrose palmar (excesso de suor)

A quem não segue o blogue no facebook, pode ter escapado a entrevista que dei no programa Consultório do Porto Canal. Foi em Julho, mas só agora consegui passar o vídeo para o Youtube, de forma a ser ‘colado’ aqui no blogue. Fui falar da simpaticectomia toracoscópica para o tratamento das hiperidrose palmar e axilar, também conhecida pelo excesso de suor nas mãos e nas axilas. É uma doença que afecta muitas crianças e adolescentes e de que foi já alvo de um texto no blogue. O programa foi muito engraçado e até teve uma surpresa: uma doente operada por mim no Hospital da Arrábida que me acompanhou para dar o seu testemunho. Vejam, porque vale a pena.

 

 

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Fumos e fogos florestais – conselhos para pais

O país angustia-se com esta vaga de incêndios. Por todo lado, sente-se o cheiro da madeira queimada e um fumo que seca os olhos. Falta de ar, sibilos, tosse, ardência ou picadas do nariz, garganta e olhos são sintomas de que poderá estar haver demasiada exposição ao fumo ou poluentes do ar. Infelizmente, não existe muita informação disponível para os pais sobre como proceder em caso de incêndios florestais. Mas pesquisando no website da Associação Americana de Pediatria (AAP), encontram-se alguns conselhos:

 

1. Ficar em casa, com janelas e portas fechadas. Se no carro, manter janelas ventilação fechada. Se possível, ligar ar condicionado no modo recirculação. Os sistemas de filtro HEPA (High-Efficiency Particulate Air) permitem purificar o ar.

2. Evitar atividades que aumentam o fumo, nomeadamente cozinhar com fogão a gás.

3. A AAP desaconselha o uso de máscaras com filtro de partículas. Estas só funcionarão se forem adaptadas à idade da criança e muito bem colocada, pelo que é preferível manter as crianças em ambientes fechados, longe dos fumos.4. 4. Minimizar as atividades ao ar livre.

5. Cumprir as ordens das autoridades de segurança pública.

6. Estar mais atento às crianças com problemas respiratórios crónicos, como a asma. Se aparecer tosse ou sibilância, deverão utilizar a medicação habitual. Se esta não surtir efeito, procurar ajuda médica.

7. Hidratar bem. O stress, o calor e agressão do fumo são fatores de desidratação, que se combate com a ingestão de água. (Este ponto não aparece nas recomendações da AAP. Foi retirado num artigo da DGS: A alimentação em tempo de incêndios.)

8. No regresso a uma área queimada, é importante estar atento a eventuais perigos para as crianças: água contaminada, alimentos fora de validade, destroços soltos que possam cortar a criança, etc.

 

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Para saber os níveis de poluentes e fumo da zona onde está, pode consultar o website da Agência Portuguesa do Ambiente. Lá encontra também o grau de perigosidade dessa exposição [verde-amarelo-laranja-vermelho] e que atitudes tomar mediante cada cor.

 

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[fonte da imagem: rr.sapo.pt. Vista para a cidade do Funchal do miradouro do Pico dos Barcelos, freguesia de São Martinho, Funchal, 09 de Agosto de 2016. GREGÓRIO CUNHA/LUSA]

Preparar mala de primeiros socorros para férias

De férias com as crianças, há um conjunto de bens de primeira necessidade que não dispenso. Umas coisinhas que coloco na mala de viagem para a eventual emergência. Pode e deve ser organizado numa mala à parte: uma mala de primeiros socorros em viagem. O que colocar lá dentro?

  • Compressas esterilizadas, solução de iodopuvidona (vulgo Betadine) e pensos impermeáveis. A trilogia para as feridas e escoriações.
  • Soro fisiológico. Em ampolas é melhor que em frasco, porque permite manter o soro esterilizado. O SF dá sempre jeito para limpar uma ferida ou tirar alguma poeira do olho.
  • Ligaduras. Para além de imobilizarem um pé torcido, podem segurar um saco de gelo ou comprimir uma ferida sangrante.
  • Paracetamol e ibuprofeno. Ambos têm efeito antipirético (contra a febre) e analgésico (contra a dor).
  • Termómetro. É sempre bom ver a temperatura, antes de dar um atni-pirético.
  • Repelente de insectos (loção ou roll on para o corpo e ambientador para o quarto). Que eu saiba apenas a loção anti-mosquito da Johnson’s garante segurança de utilização apartir dos 6 meses. A maioria dos roll on estão aprovados para usar apartir dos 24 meses. Mesmo assim, tenha muita atenção antes de comprar a este pormenor da idade.
  • Creme com corticóide. É o mais eficaz contra as picadas de insectos, mas obriga a uma receita médica. O Fenistil gel contem um anti-histamínico e é uma boa opção dentro dos medicamentos de venda livre. Apesar dos estudos dizerem que não influenciam na evolução da reacção à picada, existe efectivamente um alívio dos sintomas, como sejam a diminuição da comichão e alívio do calor local.
  • Protector solar. Adaptado à idade das crias.
  • Creme hidratante (bem gordo). O melhor para as queimaduras e sempre útil na reabilitação de uma pele agredida por um dia de praia ou de piscina.
  • Uma pinça e uma tesoura. Geralmente, as que a Mãe carrega no estojo de maquilhagem são suficientes para uma emergência.
  • Boletim de saúde infantil e registo de vacinas. Nunca esquecer.
  • (Acrescentaria um aspirador de nariz, se for viajar com um bebé.)
[fonte: edestinos.com.br]
 
Viajar em Portugal é um sossego, porque temos uma boa rede de cuidados de saúde (público e privado). Em caso de doença, temos sempre onde nos socorrer e existe uma grande oferta de farmácias e parafarmácias, onde podemos aceder facilmente a medicamentos. Assim, o kit de cima é suficiente para uma pequena emergência. Se for, para um País onde o acesso a fármacos possa não ser tão fácil, tento levar mais qualquer coisa:
  • Soro de hidratação oral, para o caso de haver vómitos.
  • Um ‘bebegel’ ou outro enema, não vá a criança ‘entupir’. É frequente quando alteram rotinas.
  • Um creme com antibiótico e um outro com antimicótico, para uma eventual dermatite das fraldas, ferida infectada e lesões da pele várias.
  • Um antibiótico oral que seja ‘abrangente’ para as doenças da pequenada: amigdalites, otites, infecções respiratórias altas, etc.

 

Como estes dois últimos obrigam a receita médica, deverá visitar o pediatra ou o médico assistente. Aproveite e pergunte se deverá levar mais qualquer coisa. Ele adaptará o kit de viagem do seu filho, em função do estado cínico e das doenças tidas anteriormente, olhando também ao país e à altura do ano em que irão viajar. E, claro, não se esqueça de ver se precisa de vacinas antes de partir.

 

[Texto revisto apartir do seu original publicado no blogue em 9 de Julho de 2013.]

 

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Preparar as crianças para o calor

Numa das últimas urgências, tivemos que internar uma criança (quase na adolescência) com desidratação e queimadura solar. Estivera o dia todo na praia. Com a brisa do mar a soprara levemente, não se apercebeu que os raios de sol queimavam tanto nem reforçou o creme protetor. Mas o calor e a queimadura solar fizeram que a desidratação se instalasse lentamente. Chegou ao hospital já de noite, porque a Mãe já não a conseguia dar água para beber de tão apática que a rapariga estava.

 

Não é por falta de aviso, porque a Direção Geral de Saúde já enviou novo alerta para as as subidas bruscas de temperatura. O calor extremo apresenta riscos graves para as crianças, que pode ir da desidratação ao choque (ou golpe) de calor, também conhecido como insolação. Os sintomas precoces da desidratação podem ser um simples cansaço a um mal-estar geral, náusea, pouca quantidade de urina (mais escura e com mais cheiro), língua seca. Mas vai progredindo para: cansaço extremo, alteração de consciência, caimbras musculares, vómito, anúria (não urina), dificuldade respiratória. Estes são sinais de alarme que deverão levar à consulta urgente de um médico.

 

No entanto, o mais importante é prevenir. Ter cuidados com o calor e com a exposição solar, que passam por:

  • evitar andar na rua nas horas de maior calor (tipicamente entre 11h e as 17h);
  • programar brincadeiras em locais frescos, de preferência com ar condicionado. Se não tiver ar condicionado em casa ou no local onde vai passear, identifique edifícios públicos que possam ter: bibliotecas, centros comerciais, etc;
  • oferecer muita água às crianças (mesmo que em forma de frutas como a melancia e o melão);
  • planear mais períodos de descanso;
  • arrefecer com banhos frescos e brincadeiras na água;
  • (independente da onda de calor), nunca deixar uma criança no carro sozinha;
  • proteger-se (a si e às crianças) do sol: evitar expor-se nas horas em que o Sol está mais alto, usar chapéu com abas largas e óculos de sol, roupas frescas e claras, creme protetor adequado à idade [mais informação aqui].

 

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[fonte: noisygeek.com]

 

O clima português é ótimo. Temos praias (fluviais e marítimas) onde nos podemos divertir grande parte do ano. Não é preciso querer tudo de uma vez. Saber gerir o tempo que nos expomos ao sol e ao calor é um bom exemplo a transmitir aos nossos filhos.

De cara lavada e outras novidades

Pode ter passado despercebido a quem lê o blogue através de feeds, mas os restantes 99,9% dos leitores deverão ter reparado que mudámos de casa. Aliás, são muitas as mudanças. Primeiro, mudámos de morada. Deixámos o blogspot.com para sermos só .com. É que agora temos servidor próprio e tudo. Graças ao meu amigo José Veiga (fundador e CEO da Insania), que me ajudou a tratar de tudo. Para quem quer saber disto ao pormenor, tenho tratado do registo dos domínios no Weblx. Não sei se são os melhores, nem os mais baratos, mas trabalho com eles há muitos anos sem acidentes de precurso e têm uma linha de apoio muito competente.

 

A maior mudança (e que me tomou mais tempo) foi a mudança do blogger para o wordpress. Este último é mais versátil, mas muito mais complexo e difícil de editar. Pessoalmente, estou muito orgulhoso do resultado. Podem não acreditar, mas todo o design (exceto o logotipo de que falo mais abaixo) foi feito por este cirurgião pediátrico que vos escreve. Daí todo este tempo sem escrever… Tive que ler muitos tutoriais, instalar plugins, editar código html, scripts, feeds e outras palavras que continuo sem saber o significado. Este blogue é também o meu laboratório de experiências informáticas. Aprendi muito com esta mudança, especialmente com o meu amigo que me aturou nas últimas semanas, com dúvidas muito básicas.

 

O logótipo foi a minha primeira experiência com crowdsourcing. Foi através do Designcrowd. Disse que tipo de blogue era, o template que estava a pesar usar e em 3 dias tinha uma primeira proposta. Mensagens para lá, mensagens para cá e, passadas 48 horas, tinha o logótipo que vêem. Porque já reparei que a associação não é imediata, chamo a atenção que os dois traços no meio da chupeta não pretendem simular um nariz de porco (ou touro), mas sim um bisturi e uma pinça. Chupeta, bisturi, pinça delicada: três instrumentos do meu dia-a-dia.

 

Mas ainda há outra novidade. Estou a criar uma newsletter. Outro desafio informático que terá a sua primeira edição no próximo mês de Agosto. Como a vida profissional vai me ocupando cada vez mais (subtraindo ao tempo que tenho para o blogue), os temas que me interessam falar obrigam a textos mais compridos, outros assuntos são mais efémeros e acabo por apenas partilhá-los no facebook e alguns textos mais antigos merecem ser revisitados e até atualizados, lembrei-me que um boletim (em inglês, newsletter) mensal que fosse diretamente para o e-mail dos leitores seria uma forma confortável de vos manter a par das novidades. Se estiverem interessados podem subscrever aqui.

 

São estas as últimas novidades. Talvez com conceitos demasiado técnicos, mas que servem também para verem o que se passa do lado de cá dos textos e (quem sabe?) entusiasmar-vos com a ideia de começarem o vosso blogue. Agora seria a vossa vez, porque gostaria de ouvir o que os leitores têm a dizer sobre o blogue. Temas que gostariam de ver abordados? Há demasiados temas médicos? Pouca parentalidade? Positiva ou negativa? Lembram-se do porque o pai quer?

 

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O que os pais deveriam saber sobre cáusticos (e não sabem)

Na última edição da Acta Pediátrica Portuguesa vem um artigo algo alarmante escrito pelos colegas do Hospital de Santa Maria. Em questionários realizados no serviço de urgência e nas consultas de saúde infantil de dois centros de saúde, a maioria dos pais/cuidadores mostrou um conhecimento inadequado sobre ingestão de cáusticos. Segundo o mesmo estudo, «62,7% (dos inquiridos) tomariam atitudes inadequadas, como induzir o vómito», 35,8% «guardavam os tóxicos debaixo do lava-loiça» e 35,5% «não conheciam o Centro de Informação Antivenenos». Razão apontada para esta falta de conhecimento/cuidado, 74,1% referiam nunca ter recebido informação sobre este assunto. E se reduzíssemos este número de desinformados?

Primeiro, o que é um cáustico e porque é grave a sua ingestão? Um cáustico é uma substância química que, por contacto com a pele e mucosas (boca, esófago, estômago), causa lesões imediatas nesses tecidos. Os cáusticos estão presentes em muitos produtos de uso doméstico: lixívias, detergentes, diluentes, pesticidas, etc. A gravidade da lesão vai depender da concentração, do volume e tempo de contacto do cáustico com os tecidos. Assim, a lesão pode ir de uma simples inflamação local a necrose (morte) do tecido com perfuração do esófago, insuficiência respiratória e morte. A longo prazo, pode resultar em estenoses (“apertos”) do esófago ou do piloro (saída do estômago) com necessidade de cirurgia.

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[fonte: evpersoneli.com]

Segundo, como prevenir a ingestão de cáusticos? «O grupo de maior risco são as crianças de idade inferior a 5 anos, com um pico de incidência por volta dos 2 anos, altura em que têm já autonomia para se deslocarem, mas não têm capacidade de reconhecer o perigo.» Sendo assim, é importante colocar os produtos que contêm cáusticos fora do alcance das crianças. Como?

  • guardando os produtos tóxicos num local (de preferência alto), em que seja impossível a criança chegar (e de preferência fechado à chave ou outro dispositivo de segurança);
  • devolvendo as embalagens ao local seguro assim que os produtos forem utilizados;
  • evitando o manuseio de produtos tóxicos junto das crianças (basta um segundo para ir lá com a mãozinha);
  • mantendo os produtos nas embalagens originais e nunca mudá-los para embalagens de abertura fácil;
  • conheça os símbolos presentes nas embalagens.

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Terceiro, o que fazer em caso de ingestão de cáustico ou outro produto tóxico? (Idealmente esta lição tem que estar na ponta da língua de todos os pais e cuidadores. Por isso, vou colocá-la por pontos:)

  1. Dê a beber água ou leite.
  2. Não provoque o vómito.
  3. Se tiver havido contacto com a pele ou com os olhos, lavar abundantemente com água durante 15 minutos.
  4. Telefonar para o Centro de Informação Antivenenos (808250143).

 

 

Note bem que os perigos e regras de que falo aqui aplicam-se também aos medicamentos, pelo que quase se poderia trocar produtos tóxicos por medicamentos e as recomendações seriam as mesmas. Já repararam que estas embalagens parecem guloseimas?

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[fonte: evoke.ie]

Se ficou com vontade de saber mais sobre este tema, recomendo também: a leitura do artigo original «Ingestão de Cáusticos em Idade Pediátrica: Conhecimentos dos Cuidadores», uma visita à página do Centro de Informação Antivenenos e a consulta das recomendações do Ministério da Saúde para prevenção de intoxicações e outros acidentes na infância. Pode também ler outro texto que escrevi sobre prevenção de acidentes.

Estratégia simplificada para largar a fralda de dia e de noite

O problema da fralda (ou melhor da ‘desfralda’) coloca-se muitas vezes na consulta do cirurgião pediátrico. Seja por algum receio de fazer a circuncisão ou outro procedimento peniano antes do desfralde, seja por alguma alteração dos rins o trouxe à consulta, seja porque existe uma preocupação real pela existência de uma enurese (perda involuntária de urina), ou seja só porque sim, é frequente questionarem como ajudar o menino ou a menina a deixar a fralda. Claro que não há uma regra que sirva para todas as crianças, mas existem algumas regras básicas que regem o meu pensamento e que procuro partilhar com os pais que me procuram.

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[imagem: pottytraining-boys.net]


1) A criança tem que estar preparada. Perceber quando uma criança tem maturidade para deixar as fraldas dava todo um post, mas tentarei resumir. Para iniciar o desfralde, a criança tem que andar e sentar-se com segurança no pote ou no redutor. Pote ou redutor seria outro post. Em casa temos os dois, porque quer o JM quer agora o MM sempre gostaram de variar. Mais, a criança tem que ter capacidade (falo de desenvolvimento neurológico mesmo) para perceber que tem vontade de fazer xixi (isto é, o sinal eléctrico de bexiga cheia tem que viajar até ao cérebro e a criança tem que saber descodificar esse sinal) e ter capacidade de comunicar essa vontade (seja através da fala ou gestos). Finalmente, tem que ter vontade (drive interno) para deixar as fraldas. Ela tem que sentir que deixar as fraldas é um passo importante para ela, que passará a ‘ser grande’. Sem motivação interna, não há prémio nem castigo que consiga colocar a criança a fazer xixi no pote.

2) É preciso disponibilidade dos pais. Passar das fraldas ao pote, exige uma aprendizagem. Não serve só o ritual de na escolinha colocarem a criança no pote a horas certas. É importante que os pais continuarem esse hábito em casa. Numa fase inicial, os pais têm que sentar a criança no pote de duas em duas horas e esperar que ‘chova’. Idealmente, quando estiver em casa, nem fralda-cueca a criança deve usar, o que obriga a uma disponibilidade para mudar a roupa várias vezes por dia. E, fora de casa, fazer tudo por tudo para levar a criança a uma casa de banho com a frequência necessária e sempre que ela pedir. Ou seja, não facilitar e, «desta vez, faz na fralda».

3) Alinhar uma estratégia com calma e bom senso. Apesar de ser sempre um daquelas metas que os pais querem que os seus filhos cruzem quanto antes (de preferência antes dos ‘filhos dos outros’), tentar fazê-lo à pressa e a qualquer custo pode ser prejudicial. Reforço esta ideia: a criança deve ter maturidade necessária e depois os pais vão ajudar. Os pais (em casa), as educadoras (na escolinha) e os familiares que fiquem com a criança por períodos devem ter a estratégia alinhada. A que eu prefiro é tirar a fralda e sentar no pote a horas fixas (inicialmente, duas em duas horas e depois vamos espaçando mais). A cada xixi ou cocó no pote há uma grande festa. NÃO CASTIGAR. Há crianças que desenvolvem obstipação, porque retêm a urina e, com ela, as fezes. Associam ao «sujo», «porco», ao castigo. Quando há uma inundação, é porque o esticamos a corda mas não há drama, não há castigo, é uma pena mas vamos tentar não falhar na próxima.

4) Deixar a fralda da noite é o objectivo final. A capacidade que cada bexiga tem para aguentar várias horas sem ‘descarregar’ varia muito. Se é verdade na idade adulta, também o é nos mais pequenos. Alguns meninos aguentam facilmente sem ir à casa de banho todas as horas que estão a dormir (8-10 horas), outros têm que esvaziar mais cedo. Umas crianças têm mais dificuldade em acordar para fazer o xixi a meio da noite, outras confundem com sonhos e acham que estão acordados sentados no pote mas na verdade estão deitados na cama… Mais tarde ou mais cedo, este despertar para ir à casa de banho aparecerá (os mecanismos neurológicos acabaram por se formar), mas até isso acontecer existem algumas estratégias que podemos seguir:

  • Não dar nenhum tipo de líquidos apartir das 18h00. Isto inclui não dar sopa (apenas os legumes), nem água. Para a criança não sentir sede apartir desta hora, há quem aconselhe dar-lhe muita água (até um litro durante todo o tempo que estão na escola).
  • Esvaziar a bexiga mesmo antes de ir para a cama. Aliás, a rotina: fazer xixi, lavar mãos e dentes e ler um livro. É a melhor rotina de ‘desaceleração’ para quem quer ter um bom sono.
  • Como referi várias vezes em cima, nunca censurar os deslizes. Lembrem-se que a criança que não desperta não tem culpa disso. Fazer um reforço positivo, premiando cada noite seca (ou mesmo uma semana seca) pode ser uma estratégia válida, mas também não convém exagerar. Reparem que estaremos a reforçar/valorizar algo que a criança não controla. Quando a bexiga der o sinal certo ao cérebro para despertar, o seu filho vai acordar e vai querer fazer xixi fora da cama.
  • Ter calma. A enurese nocturna (vulgo xixi na cama) não é um problema médico até aos 6 anos. E mesmo nesta idade, é normal que o pediatra desvalorize. Dependerá da frequência de vezes que faz xixi na cama, do impacto que tem na vida da criança, de quanto já se empenhou em resolver o problema.
Nota final: Existem algumas doenças que se associam a enurese (perda involuntária da urina), seja esta diurna ou nocturna, que só o seu médico ou pediatra assistente poderão diagnosticar e tratar antes de poder iniciar o desfralde com sucesso. Principalmente no caso da enurese nocturna, que muitas vezes não existe uma causa orgânica identificável, existem fármacos (o famoso Minirin), alarmes e também psicoterapia pode ajudar. Pessoalmente, acho errado avançar para estas soluções antes de esgotadas as estratégias mais inócuas (apresentadas em cima). De qualquer forma, reforço a ideia que cada crianças é uma criança, pelo que a estratégia deve ser adaptada a cada caso em particular. Idealmente, os pais deveria discutir o problema com o médico ou pediatra assistente.
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[imagem: reviewxpro.com]

O impacto do divórcio nas crianças e adolescentes

Por vezes é preciso de falar de coisas sérias. E é com coisas sérias que retomo os convidados especialistas cá do blogue. O divórcio é cada vez mais frequente. As razões são múltiplas, mas as consequências sobre as crianças são quase sempre as mesmas. A Dra. Filipa Teiga é psicóloga clínica da APAC (Barcelos) e do Gabinete de Fisioterapia, Saúde e Bem Estar (Porto). Ela coloca os pontos no ‘i’s e tenta combinar algumas estratégias para minimizar os danos colaterais. 

O impacto do divórcio nas crianças e adolescentes
Filipa Teiga

O divórcio, como uma situação de perda, está aliado a um processo de luto. Segundo a primeira teoria apresentada por Kubler Ross, o divórcio engloba cinco etapas, sendo estas: Choque, Negação, Caos Emocional, Aceitação Intelectual e Recuperação.

  1. Choque – O momento em que um elemento do casal quer o divórcio, mas o outro não. Deste modo, a situação não parece real para o próprio que vive um período de transe e adormecimento.
  2. Negação – Após tomar consciência da realidade, até então desconhecida, apercebe-se que a mesma se revela extremamente negativa e violenta para a aceitar, por isso prefere negar a sua existência. A dor é demasiado intensa para ser observada, utilizando como estratégia de fuga e defesa, a negação. Nesta fase existem oscilações de humor significativas.
  3. Caos Emocional – Considerado o “caldo” de várias sensações, que passam da euforia à depressão. Tomam consciência do término da relação e abrem-se novas perspetivas.
  4. Aceitação Intelectual – Começo da aceitação da nova realidade. Existe uma maior estrutura, novas rotinas são implementadas e o futuro começa a ter novos horizontes.
  5. Recuperação – Surge a tranquilidade. É possível observar o passado com serenidade sem sentimentos negativos.

Neste processo, a negação é sem dúvida uma das fases de maior complexidade, principalmente para as crianças. A fantasia da união, que surge nesta fase de negação, traduzindo a ilusão de que os pais vão reatar, é muitas vezes reforçada pelos próprios pais, através dos seus comportamentos, como irem a festas de família ou partilharem os mesmos espaços com o objetivo de diminuir o sofrimento da criança. Contudo, estas situações vão criar mais ilusões e consequentemente desilusões, bem como atrasar o seu processo de luto, aprisionando-o na negação. As crianças prendem-se a esta fantasia como um bálsamo para a sua dor, pois dessa forma camuflam a realidade nefasta e acreditam que em breve tudo não passará apenas de um “sonho mau”.

Neste sentido, para impedir que a fantasia da união ocorra ou persista, é fulcral que a criança perceba a irreversibilidade do divórcio, para isso os pais têm o dever de desmistificar e acalmar a criança para que esta possa prosseguir e realizar o processo de luto de forma adequada. Os pais devem privilegiar a verdade e ainda não manipular a relação da criança com o ex-cônjuge. Devem evitar frases como: “Se a tua mãe não tivesse saído de casa, estávamos felizes”, “Se o teu pai estivesse aqui, teríamos possibilidades para te dar a bicicleta”, “O teu pai agora não quer saber de nós, já não se preocupa”, “A tua mãe agora não pode gastar dinheiro contigo porque tem outra família”, “A tua mãe não tem tempo para te ligar porque tem que cuidar da nova família”.

É fundamental que lhe transmitam maior segurança e amor, bem como dedicar-lhes o tempo e a atenção que necessitam para apreender esta nova realidade. Devem explicar que as rotinas vão ser alteradas, mas assegurar acima de tudo que vão estar sempre protegidos!

Os pais terminam a conjugalidade, mas não a parentalidade! Por isso devem reforçar a ideia de que se separaram um do outro, mas não da criança ou jovem. Os pais devem procurar substituir as frases negativas por: “Vamos mudar algumas rotinas, mas até vai ser mais giro, vais ver”, “A partir de agora sou eu que te vou buscar à escola, porque a mãe está a trabalhar”, “Tudo se vai resolver, não tens que estar preocupada, os pais vão estar sempre aqui para tudo”, “Vamos gostar sempre de ti da mesma forma”, “Independentemente de estarmos separados um do outro, nunca estaremos de ti”, “Vamos proteger-te sempre”.

Estas estratégias devem ser sempre asseguradas, independentemente da idade da criança. O adolescente torna-se, mais impulsivo e distante, podendo até perder a noção de “lar” ou enveredando por comportamentos delinquentes, o que exige que os pais garantam um ambiente mais estruturado e sejam mais assertivos nesta partilha de sentimentos e pensamentos. A escuta ativa das crianças e adolescentes é primordial para o seu bem-estar emocional.

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[fonte: dicascaseiras.com]

Os custos emocionais para os pais podem intensificar-se na fase do divórcio, conduzindo a uma diminuição significativa da sua disponibilidade e atenção às necessidades dos filhos. O medo que as crianças sentem do abandono dos pais, a destruição do seu porto de abrigo, a culpabilização que muitas vezes depreendem do estado emocional dos pais, são efeitos nefastos no seu desenvolvimento. A parentalidade disfuncional tem um papel dominante no desenvolvimento de comportamentos de risco dos filhos, perante uma diminuta supervisão, um ambiente desestruturado e inconsistente no que concerne a regras e limites impostos, um distanciamento entre pais e filhos, discussões e críticas negativas, podem contribuir para comportamentos delinquentes e antissociais.

Como consequência, as crianças e jovens ficam expostos e mais propensos a perturbações psicológicas, por vezes de forma profunda para toda a vida. Deste modo, o divórcio terá, a longo prazo, uma influência bastante significativa, alterando a visão dos filhos de pais divorciados relativamente a relações futuras; uns investem numa procura incessante pelo parceiro ideal que partilhe um compromisso sério e estável, outros recusam envolver-se em compromissos sérios para evitar o sofrimento de uma “relação falhada”.

As sequelas emocionais são, sem dúvida, as mais significativas, descrevendo marcas que permanecem e demoram a curar.

Por fim, é importante compreender que o divórcio altera significativamente a dinâmica familiar, tendo os pais, muitas vezes com o auxílio de especialistas, um papel fundamental no estabelecimento e manutenção da estabilidade emocional e comportamental das crianças e adolescentes.